Cem anos de Espumante no Brasil | Vinicola Peterlongo
Cem anos de espumante no Brasil
"Os municípios de Garibaldi e Bento Gonçalves sempre se dedicaram e sempre tiveram grande produção de uvas brancas e pretas europêas e, até hoje, pertence a estes municípios a primazia na produção de UVAS e VINHOS FINOS. A fabricação de vinhos brancos finos foi iniciada neste Município pelo Snr. Manoel Peterlongo Filho em 1906 e 1907. Naquela época começaram as primeiras colheitas das uvas MALVAZIA, MOSCATEL, VERNACIA, RABOSA E FORMOSA. A produção, durante uma dezena de anos, limitou-se ao necessário para o consumo doméstico. Em 1915, porém, Manoel Peterlongo Filho, iniciou a fabricação doESPUMANTE PETERLONGO, para exportação. Usou castas de uvas das mais finas e adoptou, desde o início o método doCHAMPAGNE (FERMENTAÇÃO NA PRÓPRIA GARRAFA)"
"Segundo, pois, a tradição de meu saudoso pai, traçamo-nos um programa do qual nos não afastaremos uma linha: DAR AOS BRASILEIROS UM PRODUTO BRASILEIRO, capaz de rivalizar com qualquer similar estrangeiro e pela terça parte do custo dêste."
(Armando Peterlongo - publicação "Gran Espumante" - Julho de 1938)
(foto de meados de 1930 / construção da vinícola Armando Peterlongo, Studio Geremia/Acervo da Vinícola)
Quem diria que o sonho, o hábito de um ilustre cidadão, mudaria toda a história de um país? Hoje, onde se fale de vinhos do Brasil, seja em festas, em concursos, em eventos, a bebida referência é sempre o Espumante. Seja brut, rosé, moscatel, caem sempre bem, tem bom preço, fáceis de encontrar e muito agradáveis.
Tudo isto se deve a um pai sonhador e a um filho visionário e executor, que nunca desistiu do seu sonho: elaborar um espumante legitimamente brasileiro, com a mesma ou superior qualidade de qualquer outro elaborado no mundo inteiro. 2013 é um ano muito especial para o vinho brasileiro, afinal, são cem anos do marco histórico da elaboração do "Primeiro Espumante do Brasil". Talvez a elaboração, de forma artesanal, até tenha começado alguns anos antes, mas em 1913, na 1a Festa da Uva de Garibaldi, ManoelPeterlongo é condecorado com Medalha de Ouro, com seu "Champagne".
"Bendita a terra que este sangue aquece"
(dizeres que estavam na Medalha recebida pelo primeiro espumante do Brasil)
Manoel era agrimensor, migra da Itália para Garibaldi para demarcar terras. Traz o hábito de beber "Champagne"; muito culto, traz um livro francês onde as regras da elaboração de um grande champagne são detalhadas. Não foge as normas, busca uvas finas, começa a estudar o processo, no porão de casa. A bebida começa a ganhar fama, infelizmente Manoel adoece em 1921. Seu único filho homem é Armando, farmacêutico, está morando em Vacaria e, com apenas 21 anos é chamado de volta a Garibaldi, para cuidar da família e da nova empresa que começa a prosperar. Armando é executor, dinâmico, se envolve completamente com o assunto e aprimora todo o legado do pai, que vem a falecer em 1924. Neste mesmo ano, o jovem Armando funda a Associação Comercial de Garibaldi (hoje Câmara da Indústria e Comércio/CIC) e também casa-se com Addy Sobrosa, professora, diretora doGrupo Escolar. É pioneiro na contratação de mulheres, tanto para os vinhedos quanto trabalhar na vinícola, no pagamento de salário mínimo e encargos trabalhistas a todos os funcionários e a preocupação para o desenvolvimento cultural da cidade.
Em 1930 inaugura o moderno prédio onde, até hoje, está o Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo. São mais de 10000 m2 contruídos em basalto, a maior construção do gênero na América Latina. O túnel garante a refrigeração da cave, construída aos moldes de Champagne, França. Em 1942, o "Champagne Peterlongo" era exportado até para o Estados Unidos; estava nas mesas dos banquetes de Getúlio Vargas (até a Rainha Elizabeth brindou com Champagne Peterlongo, em uma visita no Brasil). Em agosto de 1966, Armando falece. Hoje a empresa está revitalizando sua marca, lançando novos produtos, buscando honrar a qualidade tão sonhada pelo seu fundador.

Tudo isto se deve a um pai sonhador e a um filho visionário e executor, que nunca desistiu do seu sonho: elaborar um espumante legitimamente brasileiro, com a mesma ou superior qualidade de qualquer outro elaborado no mundo inteiro. 2013 é um ano muito especial para o vinho brasileiro, afinal, são cem anos do marco histórico da elaboração do "Primeiro Espumante do Brasil". Talvez a elaboração, de forma artesanal, até tenha começado alguns anos antes, mas em 1913, na 1a Festa da Uva de Garibaldi, ManoelPeterlongo é condecorado com Medalha de Ouro, com seu "Champagne".
"Bendita a terra que este sangue aquece"
(dizeres que estavam na Medalha recebida pelo primeiro espumante do Brasil)
Manoel era agrimensor, migra da Itália para Garibaldi para demarcar terras. Traz o hábito de beber "Champagne"; muito culto, traz um livro francês onde as regras da elaboração de um grande champagne são detalhadas. Não foge as normas, busca uvas finas, começa a estudar o processo, no porão de casa. A bebida começa a ganhar fama, infelizmente Manoel adoece em 1921. Seu único filho homem é Armando, farmacêutico, está morando em Vacaria e, com apenas 21 anos é chamado de volta a Garibaldi, para cuidar da família e da nova empresa que começa a prosperar. Armando é executor, dinâmico, se envolve completamente com o assunto e aprimora todo o legado do pai, que vem a falecer em 1924. Neste mesmo ano, o jovem Armando funda a Associação Comercial de Garibaldi (hoje Câmara da Indústria e Comércio/CIC) e também casa-se com Addy Sobrosa, professora, diretora doGrupo Escolar. É pioneiro na contratação de mulheres, tanto para os vinhedos quanto trabalhar na vinícola, no pagamento de salário mínimo e encargos trabalhistas a todos os funcionários e a preocupação para o desenvolvimento cultural da cidade.
Em 1930 inaugura o moderno prédio onde, até hoje, está o Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo. São mais de 10000 m2 contruídos em basalto, a maior construção do gênero na América Latina. O túnel garante a refrigeração da cave, construída aos moldes de Champagne, França. Em 1942, o "Champagne Peterlongo" era exportado até para o Estados Unidos; estava nas mesas dos banquetes de Getúlio Vargas (até a Rainha Elizabeth brindou com Champagne Peterlongo, em uma visita no Brasil). Em agosto de 1966, Armando falece. Hoje a empresa está revitalizando sua marca, lançando novos produtos, buscando honrar a qualidade tão sonhada pelo seu fundador.

(Armando foi pioneiro na contratação de mão de obra feminina e pagamento das leis trabalhistas/salário mínimo. Foto de meados dos anos 30, Studio Geremia, Acervo da Vinícola)
Em meados dos anos 50, chegam franceses, como Georges Aubert, e com eles o "Método Charmat". Garibaldi consolida-se como "A Terra do Champanha". Nos anos 70, multinacionais como Chandon, Seagram, Martini, Cinzano, também instalam-se no município. Em 1973, chega o enólogo Adolfo Lona. É dele a criação de eventos como a "Fenachamp" (anos 80) e a grande contribuição cultural "Confraria De Lantier", que aproximou muitas pessoas do universo do vinho.
Hoje os espumantes espalharam-se pela serra gaúcha, pelo Brasil. A história não pertence só a Garibaldi, pode-se encontrar maravilhas em Pinto Bandeira (onde está a Cave Geisse, Valmarino); preciosidades no Vale dos Vinhedos; novidades na Campanha Gaúcha (como a cave da Guatambu), sem contar o adocicado dos Espumantes Moscatéis do Vale do Rio São Francisco.
Tudo tem um começo e é hora de celebrar: Garibaldi receberá em outubro a Fenachamp - Festa do Espumante, A bebida deixou de estar apenas em festas, está no cotidiano! Motivos para brindar é o que não falta: seja a vida, a alegria, aos amores (perdidos ou renovados), pequenas conquistas... mantenha sempre na geladeira o que você mais goste e tim-tim aos vinhos do Brasil!
Em meados dos anos 50, chegam franceses, como Georges Aubert, e com eles o "Método Charmat". Garibaldi consolida-se como "A Terra do Champanha". Nos anos 70, multinacionais como Chandon, Seagram, Martini, Cinzano, também instalam-se no município. Em 1973, chega o enólogo Adolfo Lona. É dele a criação de eventos como a "Fenachamp" (anos 80) e a grande contribuição cultural "Confraria De Lantier", que aproximou muitas pessoas do universo do vinho.
Hoje os espumantes espalharam-se pela serra gaúcha, pelo Brasil. A história não pertence só a Garibaldi, pode-se encontrar maravilhas em Pinto Bandeira (onde está a Cave Geisse, Valmarino); preciosidades no Vale dos Vinhedos; novidades na Campanha Gaúcha (como a cave da Guatambu), sem contar o adocicado dos Espumantes Moscatéis do Vale do Rio São Francisco.
Tudo tem um começo e é hora de celebrar: Garibaldi receberá em outubro a Fenachamp - Festa do Espumante, A bebida deixou de estar apenas em festas, está no cotidiano! Motivos para brindar é o que não falta: seja a vida, a alegria, aos amores (perdidos ou renovados), pequenas conquistas... mantenha sempre na geladeira o que você mais goste e tim-tim aos vinhos do Brasil!
(coluna publicada na revista Sabores do Sul)
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